
“Meu cabelo está caindo muito” é uma queixa que pode esconder situações completamente diferentes.
Algumas pessoas percebem muitos fios no banho ou no travesseiro. Outras não veem uma queda intensa, mas observam que o cabelo está progressivamente mais fino, que o volume diminuiu ou que o couro cabeludo está ficando mais aparente. Há ainda quem perceba falhas bem delimitadas ou sintomas como coceira, ardência e descamação.
Por isso, contar quantos fios caíram dificilmente é suficiente para saber o que está acontecendo.
Toda queda de cabelo é igual?
Com certeza não.
O eflúvio telógeno, por exemplo, costuma causar aumento difuso da queda e pode aparecer alguns meses depois de uma cirurgia, infecção, parto, período de estresse fisiológico, emagrecimento importante ou outras alterações do organismo.
Já a alopecia androgenética costuma se manifestar principalmente pelo afinamento progressivo dos fios. Muitas vezes, o paciente percebe que o rabo de cavalo ficou mais fino ou que a risca do cabelo começou a ficar mais larga antes mesmo de notar a queda excessiva.
Existem ainda alopecia areata, alopecia por tração e alopecias cicatriciais, entre outras condições.
Quando é importante investigar fatores nutricionais?
Em determinados pacientes, sim, faz sentido investigar.
Deficiências nutricionais, dietas muito restritivas, mudanças importantes de peso e algumas condições metabólicas podem interferir no ciclo capilar. Nesses casos, minha formação também em Nutrologia permite ampliar a avaliação quando existem sinais de que a questão não está restrita ao couro cabeludo.
Isso não significa pedir uma extensa lista de exames para toda pessoa que apresenta queda de cabelo ou suplementar vitaminas sem necessidade. A investigação deve partir da história clínica e do exame.
Por que não começar logo uma vitamina para cabelo?
Porque uma queda causada por deficiência nutricional, uma alopecia androgenética e uma doença inflamatória do couro cabeludo têm mecanismos diferentes.
Suplementar sem identificar uma deficiência não trata todas as formas de alopecia e pode atrasar o diagnóstico de uma condição que precisa de outra abordagem.
Durante a consulta, avalio os fios, a distribuição da perda, as características do couro cabeludo e a evolução do quadro. A dermatoscopia ajuda a observar estruturas que não são percebidas apenas a olho nu e, quando necessário, exames complementares podem fazer parte da investigação.
Quando uma queda precisa ser avaliada mais rapidamente?
Falhas que surgem de forma repentina, perda de sobrancelhas ou outros pelos, couro cabeludo com dor, ardência, vermelhidão ou áreas que parecem estar ficando lisas merecem atenção.
Nas alopecias cicatriciais, por exemplo, existe destruição do folículo, e parte da perda pode se tornar permanente. Nesses casos, controlar a atividade da doença é especialmente importante.
Meu objetivo é identificar primeiro qual processo está acontecendo para então discutir tratamento, expectativas e tempo de resposta. Cabelo leva tempo para responder, e acompanhar essa evolução faz parte do tratamento.