Uma dúvida frequente no consultório é: “Doutora, eu preciso preencher ou estimular colágeno?”
A resposta depende do que está mudando naquele rosto.
Com o passar do tempo, acontecem alterações na pele, no tecido subcutâneo, nos compartimentos de gordura e nas estruturas de sustentação. Por isso, tratar todo envelhecimento como “perda de volume” pode levar a resultados que não respeitam a anatomia do paciente.
Os bioestimuladores são substâncias injetáveis utilizadas para estimular a produção de colágeno pelo próprio organismo e podem ser úteis principalmente quando existe perda de firmeza e qualidade da pele.
Bioestimulador aumenta o rosto?
A principal finalidade da bioestimulação não é criar volume imediato.
A resposta ocorre progressivamente, à medida que o próprio tecido produz e remodela colágeno. Dependendo do produto escolhido, da técnica e da região tratada, existem diferenças importantes no resultado esperado.
É justamente por isso que não trabalho com a lógica de escolher um produto antes de avaliar o paciente.
Quem tem flacidez precisa necessariamente de bioestimulador?
Não.
Primeiro procuro identificar de onde vem a percepção de flacidez.
Em alguns pacientes, existe principalmente perda de qualidade da pele. Em outros, há alterações de volume, estrutura, musculatura ou uma combinação desses fatores.
A idade isoladamente também não define a indicação.
Nutrição e estado metabólico também importam?
Podem importar.
Produzir e remodelar colágeno é um processo biologicamente ativo e depende de disponibilidade adequada de energia, aminoácidos e micronutrientes. Estados de desnutrição ou deficiência proteica podem comprometer síntese de colágeno e reparo tecidual.
Por isso, em alguns pacientes, especialmente quando há baixa ingestão proteica, perda importante de peso, redução de massa muscular, dietas muito restritivas ou outros sinais de maior catabolismo, considero também o contexto nutricional e metabólico antes de planejar o tratamento.
Minha formação em Nutrologia permite avaliar não apenas a pele, mas também se o organismo dispõe das condições necessárias para manter e produzir seus tecidos de maneira adequada.
Isso não significa recomendar suplementos ou aumentar proteína indiscriminadamente. A proposta é identificar quando existe uma inadequação real e corrigi-la de forma individualizada.
Anabolismo, catabolismo e envelhecimento
Com o envelhecimento, pode ocorrer maior dificuldade de manter massa magra e uma resposta anabólica menos eficiente, especialmente quando ingestão proteica e atividade física não são adequadas. Estratégias que preservam massa muscular envolvem principalmente ingestão proteica suficiente e exercício resistido.
Esse contexto não determina sozinho a indicação de um bioestimulador, mas faz parte de uma visão mais ampla do envelhecimento.
Meu objetivo não é estimular colágeno isoladamente enquanto ignoro outros sinais de perda tecidual, baixa massa muscular ou inadequação nutricional quando eles estão presentes.
Quantas sessões são necessárias?
Isso varia conforme o produto, a região tratada, o grau de alteração da pele e a resposta individual.
Quando indico bioestimulação, explico que a proposta é progressiva. Não espero que o paciente saia da consulta com uma mudança artificialmente evidente.
Meu planejamento estético procura preservar aquilo que já caracteriza o rosto. O tratamento deve acompanhar o envelhecimento do paciente, integrando o que acontece na pele ao restante do organismo, sem tentar colocá-lo dentro de um mesmo formato facial.