Nem todo câncer de pele começa como uma pinta escura e nem toda pinta que parece diferente é câncer.

Essa é uma das razões pelas quais costumo orientar que o paciente observe a própria pele, mas não tente fazer o diagnóstico apenas comparando fotografias na internet.

Uma ferida que não cicatriza, uma lesão que cresce continuamente, uma pinta que mudou de formato ou coloração ou uma área que começou a sangrar sem motivo aparente merece avaliação.

Como saber se uma pinta é preocupante?

Alguns sinais aumentam a necessidade de investigação: assimetria, bordas irregulares, diferentes tonalidades em uma mesma lesão, mudanças de tamanho ou aspecto e evolução recente.

Mas há um ponto importante: o contexto também conta.

Idade, exposição solar acumulada, histórico pessoal e familiar, quantidade e padrão das pintas e características gerais da pele entram na avaliação.

Também procuro observar se existe uma lesão que parece diferente do padrão das outras do mesmo paciente.

Toda pinta precisa ser retirada?

Não.

Muitas lesões podem apenas ser acompanhadas. Retirar preventivamente todas as pintas não substitui o acompanhamento dermatológico e pode resultar em procedimentos desnecessários.

Quando uma lesão apresenta características que precisam de esclarecimento, a dermatoscopia pode auxiliar na avaliação. Em determinadas situações, indico biópsia ou retirada da lesão para análise anatomopatológica.

Só devo consultar quando encontro algo estranho?

A avaliação preventiva também pode ser importante, principalmente para pessoas com histórico de exposição solar intensa, múltiplas pintas, antecedentes pessoais ou familiares de câncer de pele ou outros fatores de risco.

Durante a consulta, meu papel é diferenciar aquilo que pode ser acompanhado daquilo que precisa ser investigado ou tratado.

Se você percebeu uma alteração nova na pele ou quer realizar uma avaliação das suas pintas, a consulta dermatológica permite olhar essas lesões dentro do seu contexto, e não de forma isolada.