A psoríase pode aparecer como placas avermelhadas e descamativas em cotovelos, joelhos, couro cabeludo e outras regiões, mas existem diferentes formas da doença.
É uma condição inflamatória crônica e não contagiosa, e seu impacto pode ir muito além daquilo que vemos na pele.
Por isso, no acompanhamento, procuro entender não apenas a extensão das lesões, mas como a doença está se manifestando naquele paciente e quais outros aspectos da saúde precisam ser considerados.
Psoríase é apenas uma doença de pele?
Não.
As unhas podem apresentar alterações e algumas pessoas desenvolvem artrite psoriásica. Perguntas sobre dor, rigidez ou inchaço nas articulações, portanto, fazem parte de uma avaliação mais ampla.
Além disso, a extensão das lesões não é a única medida de gravidade. Uma área pequena em mãos, pés, couro cabeludo ou região genital pode causar impacto importante na rotina e na qualidade de vida.
A psoríase também apresenta associação com obesidade, resistência à insulina, alterações do colesterol, hipertensão e outros fatores de risco cardiovascular.
Por isso, em determinados pacientes, olhar além da pele faz parte do próprio cuidado com a doença.
Onde a Nutrologia pode acrescentar ao acompanhamento?
Minha formação em Nutrologia amplia a avaliação dos pacientes em que peso, composição corporal, alimentação e saúde metabólica merecem atenção.
Em pessoas com excesso de peso, por exemplo, a redução de peso pode contribuir para o controle da doença e também favorecer a resposta a alguns tratamentos.
Isso não significa que exista uma “dieta para psoríase” ou que restrições alimentares devam ser feitas de rotina.
A proposta é identificar fatores que realmente sejam relevantes para aquele paciente, orientar mudanças sustentáveis quando necessárias e evitar dietas ou suplementos sem indicação.
Estresse causa psoríase?
O estresse não é a causa única da psoríase, mas pode funcionar como fator de piora em algumas pessoas.
Infecções, medicamentos, tabagismo, consumo excessivo de álcool e outros fatores também podem contribuir para exacerbações.
Identificar esses padrões ajuda no acompanhamento, mas não substitui o tratamento da inflamação.
Existe tratamento para casos mais extensos?
Sim.
Dependendo do tipo de psoríase, localização, extensão, impacto na qualidade de vida, presença de acometimento articular e condições clínicas do paciente, o tratamento pode incluir medicamentos tópicos, fototerapia, terapias sistêmicas e imunobiológicos.
Por isso, duas pessoas com psoríase não necessariamente receberão o mesmo tratamento.
Na minha avaliação, considero a pele, o impacto da doença na vida do paciente, possíveis manifestações além da pele e, quando pertinente, aspectos metabólicos e nutricionais que também fazem parte de sua saúde.