A rosácea nem sempre começa com vermelhidão permanente.

Alguns pacientes percebem primeiro que o rosto “esquenta” e fica vermelho com facilidade. Com o tempo, podem surgir vasos aparentes, ardência, sensibilidade e, em alguns casos, lesões que lembram espinhas.

Também é comum a pessoa tratar o quadro como acne e perceber que determinados produtos acabam piorando bastante a pele.

Por isso, procuro entender qual manifestação da rosácea predomina e quais fatores podem estar contribuindo para as crises naquele paciente.

Rosácea e acne são a mesma coisa?

Não.

Apesar de algumas manifestações da rosácea lembrarem espinhas, os mecanismos e a forma de tratar são diferentes.

A pele com rosácea costuma apresentar maior sensibilidade e frequentemente não tolera os mesmos produtos utilizados no tratamento da acne.

Por que algumas pessoas ficam vermelhas com vinho, calor ou banho quente?

A rosácea envolve alterações vasculares, inflamatórias e neuroimunes da pele.

Calor, exposição solar, bebidas alcoólicas, alimentos muito quentes ou condimentados, exercício, estresse e mudanças bruscas de temperatura podem desencadear crises em algumas pessoas.

Mas não existe uma lista de proibições que sirva para todos.

Prefiro identificar junto ao paciente quais gatilhos realmente fazem diferença no seu caso, evitando restrições desnecessárias.

O intestino pode ter relação com a rosácea?

Em alguns pacientes, pode haver uma relação.

Estudos têm mostrado associação entre rosácea e algumas condições gastrointestinais, entre elas síndrome do intestino irritável, doença inflamatória intestinal e supercrescimento bacteriano do intestino delgado, a SIBO.

Isso não significa que toda pessoa com rosácea tenha uma alteração intestinal nem que todos precisem ser investigados.

Quando existem sintomas digestivos associados — como distensão abdominal, excesso de gases, alterações persistentes do hábito intestinal ou desconforto após as refeições — esse contexto pode merecer uma avaliação mais ampla.

Minha formação em Nutrologia me permite integrar esse olhar ao acompanhamento dermatológico quando ele realmente é pertinente, sem transformar o intestino na explicação para todos os casos de rosácea.

Alimentação interfere?

Pode interferir, principalmente por meio de gatilhos individuais.

Álcool, bebidas muito quentes e determinados alimentos podem piorar a vermelhidão em algumas pessoas, mas isso varia bastante.

A proposta não é impor uma dieta restritiva, e sim reconhecer padrões individuais e, quando necessário, avaliar de forma mais ampla a alimentação e a saúde gastrointestinal.

O clima de Curitiba pode interferir?

Mudanças de temperatura, frio, vento e ambientes internos aquecidos podem aumentar a sensibilidade em algumas peles.

Esses fatores não causam rosácea, mas podem desencadear crises em quem já possui predisposição.

Laser resolve a vermelhidão?

Tecnologias direcionadas aos vasos podem ter indicação principalmente quando há vermelhidão persistente ou vasos aparentes.

Mas, quando existe inflamação ativa, sensibilidade importante ou lesões, pode ser necessário controlar primeiro outros componentes da doença.

A consulta serve para identificar o que predomina em cada paciente. Em alguns casos, o foco será controlar a inflamação; em outros, tratar vasos; em outros, simplificar uma rotina de skincare que está mantendo a pele constantemente sensibilizada.

E, quando existem sinais de que fatores gastrointestinais ou alimentares podem estar participando do quadro, eles também podem fazer parte dessa avaliação.